Tilapicultura em Sistema de Bioflocos: um Investimento Rentável no Estado do Pará?

Palavras-chave: custo de produção, Oreochromis niloticus, rentabilidade

Resumo

O cultivo de tilápia no estado do Pará passou a ser permitida exclusivamente em sistemas fechados pela Resolução n° 143, de 20 de dezembro de 2018, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Portanto, o objetivo deste estudo foi analisar a viabilidade econômica da produção de tilápia Oreochromis niloticus em sistema de bioflocos no estado do Pará. O custo de implantação foi estimado para um empreendimento hipotético localizado no município de Paragominas com capacidade de produzir 30 toneladas.ano-1. O custo de produção foi estimado pela metodologia do custo operacional considerando um ciclo produtivo de 120 dias, peso de abate de 0,4 kg, conversão alimentar de 1,4:1 e produtividade de 15 kg.m-3.ciclo-1. Posteriormente, foram gerados indicadores de eficiência econômica para os preços de comercialização de R$ 7,00.kg-1, R$ 8,50.kg-1 e R$ 10,00.kg-1. O custo de implantação foi de R$ 137.789,6, o custo total da produção de R$ 228.840,5 e o custo de produção de R$ 7,57.kg-1. A comercialização a R$ 7,00.kg-1 é inviável financeiramente e os melhores indicadores econômicos ocorrem com o preço de R$ 10,00.kg-1. Contudo, a comercialização a preços mais expressivos exigirá do empreendedor a busca por mercado mais atraente, haja visto que há municípios com o preço de venda inferior ao custo de produção encontrado neste estudo, como o município de Paragominas. Concluiu-se que o custo de produção da tilapicultura em sistema de bioflocos exigirá do empreender dispor de estratégias para a comercialização da produção no estado do Pará.

Biografia do Autor

Leonilton Rodrigues Barbosa da Silva, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
Engenheiro de Pesca, Mestre em Aquicultura e Recursos Aquáticos Tropicais (PPG-AqRAT), Autônomo, Castanhal, Pará, Brasil.
Marcos Ferreira Brabo, Universidade Federal do Pará (UFPA)
Engenheiro de Pesca, Doutor em Ciência Animal (PPG-CAN), Professor Adjunto da Universidade Federal do Pará (UFPA), Bragança, Pará, Brasil.
Marcos Antônio Souza dos Santos, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
Engenheiro Agrônomo, Doutor em Ciência Animal (PPG-CAN), Professor Adjunto da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Belém, Pará, Brasil.
Mayara da Costa Pereira, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
Engenheira de Pesca, Mestre em Aquicultura e Recursos Aquáticos Tropicais (PPG-AqRAT), Autônoma, Belém, Pará, Brasil.
Breno Gustavo Bezerra Costa, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
Engenheiro de Pesca, Doutor em Ciências Marinhas Tropicais (PPG-CMT), Professor Adjunto da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Belém, Pará, Brasil.
Kátia Cristina de Araújo Silva, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
Engenheira de Pesca, Doutora em Biologia Ambiental (PPG-BA), Professora Adjunto da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Belém, Pará, Brasil.

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Publicado
2022-04-29
Como Citar
Silva, Leonilton Rodrigues Barbosa da, Marcos Ferreira Brabo, Marcos Antônio Souza dos Santos, Mayara da Costa Pereira, Breno Gustavo Bezerra Costa, e Kátia Cristina de Araújo Silva. 2022. Tilapicultura Em Sistema De Bioflocos: Um Investimento Rentável No Estado Do Pará?. Fronteiras: Journal of Social, Technological and Environmental Science 11 (1), 302-14. https://doi.org/https://doi.org/10.21664/2238-8869.2022v11i1.p302-314.