Vale do Rio Doce: Fronteira, industrialização e colapso socioambiental

  • Haruf Salmen Espindola

Resumo

O Vale do Rio Doce - VRD tem motivado investigações nas mais diversas áreas do conhecimento, por parte de pesquisadores nacionais e estrangeiros. O interesse é atraído pelas variadas imbricações de processos socioambientais, socioeconômicos, socioculturais e políticos. O VRD se manteve como fronteira aberta, até meados do século XX, quando, finalmente, acabou a disponibilidade de terras e se encerou a frente pioneira. Concomitante ao povoamento, ocupação econômica e formação dos núcleos urbanos, se implantou pela ação do Estado grandes projetos de investimento, particularmente nas áreas de siderurgia e mineração. Se para atores vinculados à modernização a fronteira era vista como depositária de recursos naturais, para as pessoas que chegavam com esperanças diversas a fronteira era uma terra prometida...Palavras chave: Minas Gerais; Vale do Rio Doce; Frente Pioneira; Frente de Expansão Demográfica; Grandes Investimentos de Capital.

Biografia do Autor

Haruf Salmen Espindola
Doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo. Professor da Universidade Vale do Rio Doce, Brasil.

Referências

Almeida CA de 1978. O desbravamento das selvas do Rio Doce. (Rio de Janeiro: José Olímpio).
Augusta TCM 2014. Princesa da Baviera, Viagem pelos trópicos brasileiros. (Vila Velha: Phoenix Cultura), p. 95.
Baruqui FM 1982. Inter-Relações Solo-Pastagens nas Regiões Mata e Rio Doce do Estado de Minas Gerais, (Dissertação de Mestrado pela Universidade Federal de Viçosa), p. 92.
Bernardes A da Silva 1920 (Presidente do Estado de Minas Gerais). Mensagem dirigida ao Congresso Mineiro, de 15 de junho de 1920, 78-79. Disponível em http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/u304/000078.html. Acessado em 24/3/2014.
Borges MEL 1988. Utopia e contra-utopia: movimentos sociais rurais em Minas gerais (1950-1964). (Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais - Dissertação de Mestrado).
Bourdieu P 1985. O poder simbólico. (Rio de Janeiro, Bertrand), p. 114, 125-126.
Castro SM de 1946. Voz do Rio Doce. Governador Valadares, ano 2, n. 52, de 13 de outubro, p. 9; Silva Monteiro de Castro, “Perspectiva do Vale do Rio Doce, Acaiaca: Revista de Cultura, p. 32, 105 (nov. de 1951).
COMPANHIA VALE DO RIO DOCE 1969. Desenvolvimento Agropecuário da Região de Influência da CVRD: estudo básico. São Paulo: Planejamento Agro-Industriais.
COMPANHIAVALE DO RIO DOCE 1963. Perspectivas de Desenvolvimento Industrial da Região do Rio Doce. São Paulo: SERETE 1963, 3v.;
Cronon W 1992. A Place for Stories: Nature, History, and Narrative, The Journal of American History, 78, 4, (march), p. 1.352, 1.353.
Cupolillo F 2008. Diagnóstico hidroclimatológico da Bacia do Rio Doce. (Belo Horizonte: IGC/UFMG - Tese de Doutorado).
Deleuze G, Guattari F 2002. Mil Platôs. Capitalismo e Esquizofrenia. São Paulo: Ed. P. 34. (Volume 4).
Egler WA 1951. Zona pioneira ao norte do rio Doce, Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, XVIII, p. 223-264.
Espindola HS 1999. História da Associação Comercial de Governador Valadares (Governador Valadares: Univale), p. 74-126.
Espindola HS 2000. Práticas Econômicas e Meio Ambiente na Ocupação do Sertão do Rio Doce. Caderno de Filosofia e Ciências Humanas, Belo Horizonte, v. 8, n.14, p. 67-75;
Espindola HS 2001. “História e Região: construção das identidades individual e coletiva,” XXI Simpósio Nacional de História, Niterói, ANPUH.
Espindola HS 2001. A Colonização das Almas. (Pos-Historia, Assis, v. 9, p. 115-126).
Espindola HS 2005. Sertão do Rio Doce. (Bauru: Edusc).
Espindola HS 2009. “Território e geopolítica nas Minas Gerais do século XIX”.Cadernos da Escola do Legislativo, 11, p. 85-86.
Espindola HS et. Alli 2010. Apropriação de Terras Devolutas e Organização Territorial no Vale do Rio Doce: 1891-1960. In: Haruf Salmen Espindola; Jean Luiz Neves de Abreu (Org.). Sociedade, Território e Modernização. (Governador Valadares: Editora Univale, p. 19-58), 8-9. Disponível em http://www.univale.br/central_arquivos/arquivos/territoriosociedademodernizacao_eletronico.pdf. Acessado em 15 de outubro de 2014.
Espindola HS. “Expansão do capital e apropriação de terras florestais no processo de industrialização do Brasil (1891-1960)”, CESCONTEXTO, Coimbra, 1 (mar. 2013), 277. Disponível em http://www.ces.uc.pt/publicacoes/cescontexto/ficheiros/cescontexto_debates_i.pdf. Acessado em 24/4/2014.
Espindola HS; Wendling, IJ 2008. Elementos biológicos na configuração do território do rio Doce. Varia História, Belo Horizonte, v. 24, p. 177-197.
Espindola W 1969. “Elementos biológicos na configuração do território do Rio Doce”;Companhia Vale do Rio Doce,Desenvolvimento Agropecuário da Região de Influência da CVRD: estudo básico, p. 248 e 251, 259.
Espindola, HS 2011, Esteves AC, Martins RF, Moraes JCPP, Aquino BP. Emergência do Movimento Social no Campo: conflito entre posse e propriedade em Minas Gerais.. In: XIV Encontro Nacional da ANPUR 2011, Rio de Janeiro. XIV Encontro Nacional da ANPUR. Rio de Janeiro: ANPUR. v. 1. p. 1-17.
Espindola, HS, Morais JCPP, Aquino BP, Guimaraes DJM, Siqueira NL 2013. Expansão do capital e apropriação de terras florestais no processo de industrialização do Brasil (1891-1960). Coimbra, CESCONTEXTO, v. 1, p. 260-296 2013.
Fischer G 2014. Minério de ferro, geologia econômica e redes de experts entre Wisconsin e Minas Gerais 1881-1914. Hist. Cienc. Saúde-Manguinhos, Mar, vol.21, no.1, p.247-262.
Flórido L 2010. Agripa Vasconcelos e a Biografia: Uma Questão de Gênero, Revista Discente do CELL, n. 0 – 1º sem. 2010. Disponível em http://www.ichs.ufop.br/cell/cell/index.php/cell/article/ download/7/29. Acessado em 17 de outubro de 2014.
Fonseca JR.. Figueira do rio Doce: Vivência, Lembrança, Saudade. Rio de Janeiro: publicado pelo autor 1986 (?), p. 32.
Genovez PF, Pereira FR 2014. Da lepra à hanseníase: política pública, o cotidiano e o estigma a partir da memória de seus atores – Governador Valadares (década de 1980), História: Questões & Debates, p. 60.
Gorceix C-H 1906. O ferro e os mestres de forja, 43; Francisco Sales (Presidente de Minas). Mensagem ao Congresso Mineiro, de 15 de junho de 1906, (Belo Horizonte: Imprensa Oficial), p. 66. Disponível em http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/u290/000065.html. Acessado em 24/4/2014.
Gorceix C-H 1952. O ferro e os mestres de forja na província de Minas Gerais, Revista da Escola de Minas, (dez.), p. 41, 42.
Governo de MG. Economia Mineira – 1989: diagnóstico e perspectiva(Belo Horizonte: BDMG – Banco de Desenvolvimento Econômico, v. 5.
Graça Aranha, JP 1904. Chanaan. 2. ed. (Rio de Janeiro: H. Garnier Livreiro-Editor), p. 44-45, 80, 82, 312.
Guattari F, Suely R 2005. Micropolítica cartografias do desejo, (7° Ed. Revisada, Petrópolis, RJ: Vozes 200), 388.
Holanda SB de 1994. Visão do Paraíso: os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil, (São Paulo: Brasiliense).
Martins Filho AV 2009. O segredo de Minas. A origem do estilo mineiro de fazer política, (Belo Horizonte: Crisálida), p. 108-109.
Martins JS 1991. Expropriação e violência a questão política no campo, 3ª ed. Revisada e ampliada. São Paulo. Editora Hucitec, p. 30.
Martins JS 1996. O tempo da fronteira. Retorno à controvérsia sobre o tempo histórico da frente de expansão e da frente pioneira, Tempo Social; Rev. Sociol., 8, 1 (maio), p. 25, 29.
Melo e Silva, J 1989. Canaã do oeste: sul de Mato Grosso. Campo Grande: Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Miranda S de 1949. Rio Doce. Impressões de uma Época, (Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército), p. 11, 22.
Nogueira, A, Francisco, R 2004. Chegada a Canaã. Eles construíram a medicina em Londrina. Londrina: Associação Médica de Londrina.
Passos J dos 1964. Brasil Desperta, (Rio de Janeiro: Record), 39 (lançado nos EUA, em 1963, com o título Brazil on the Move, pela editora Doubleday).
Pinheiro F 2011. História do Banco do Brasil. 1906 a 2011. (Rio de Janeiro, s/ed,), p. 35-37. Disponível em http://www.fernandopinheirobb.com.br/escritor/livros/Fernando_Pinheiro_historia% 20do%20bb.pdf. Acessado em 17 de outubro de 2014.
Raffestin C 1993. Por uma geografia do poder. (São Paulo: Ática,), 11-29, 223-236 [Pour une géographie du pouvoir, Paris, Librairies techniques 1980].
Rocha AVM, Barbosa NA 1965. Aprendizagem infantil na 3ª série, (Belo Horizonte: Difusão Pan-Americana), p. 156-157.
Rosa LBRA 1976. Companhia Estrada de Ferro de Vitória a Minas.1890-1940. (São Paulo: FFLCH/USP - Dissertação de Mestrado), p. 108-122, 137-145;
Sack RD 1986. Human Territoriality: Its Theory and History (Cambridge: Cambridge University Press), p. 19-27.
Saint-Hilaire A de 1974. Viagem pelo distrito dos diamantes e litoral do Brasil. (Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, p. 165, 176-177.
Senna N de 1906. Bacia do Rio Doce. Terceiros dos relatórios apresentado ao governo do Estado de MG, (Belo Horizonte: Imprensa Oficial, p. 24, 25.
Siman LC 1988. Depoimento de José Chaves Reis. “A história na memória: uma contribuição para o ensino de história das cidades”, (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais -UFMG), p. 77, 78, 248.
Steains WJ. 1888. An Exploration of the Rio Dôce and its Northern Tributaries (Brazil), Proceedings of the Royal Geographical Society vol. X, n. I, p. 61-84, 62, 66.
Steains WJ. 1888. O Valle do Rio Doce, Revista da Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro tomo IV, 3o. Boletim, p. 213-226, 218-219, 225.
Strauch N 1955. A Bacia do Rio Doce. Estudo Geográfico. (Rio de Janeiro, IBGE), p. 3.
Strauch N 1955. Zona Metalúrgica de Minas Gerais e Vale do Rio Doce. Guia da excursão n.º 2, realizada por ocasião do XVIII Congresso Internacional de Geografia. (Rio de Janeiro: Conselho Nacional de Geografia 1958), 78, 98, 99, 111-140; Ney Strauch (org.),A Bacia do Rio Doce. Estudo Geográfico. (Rio de Janeiro, IBGE).
Turner FJ 1996. The Frontier In American History. University of Virginia. Disponível em http://xroads.virginia.edu/~Hyper/TURNER/. Acessado em 14 de abril de 2009.
Vasconcelos A 1996. Fome em Canaã, 159, 160, 161, 162, 163, 172, 175, 176, 177, 178 180 181 183 205, 222, 237, 238, 244.
Vilarino MTB 2008. Entre lagoas e florestas: atuação do Serviço Especial de Saúde Pública (SESP) no saneamento do médio rio Doce: 1942-1960. Belo Horizonte, UFMG, [Dissertação de Mestrado]
Waibel, LH 1955. As zonas pioneiras do Brasil. Revista Brasileira de Geografia. Ano XVII, n. 4, pp. 389-422, out./dez.
Publicado
2015-07-31