A violência obstétrica em mulheres negras na sala de parto: uma revisão integrativa
Resumo
A violência obstétrica em mulheres negras caracteriza-se por práticas abusivas, desumanizadas e negligentes durante o parto, sendo uma expressão das desigualdades raciais e de gênero presentes na assistência à saúde. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo analisar as manifestações e os impactos da violência obstétrica nas experiências de parto de mulheres negras. Para isso, conduziu-se uma revisão integrativa da literatura nas bases de dados PubMed Central e Scientific Electronic Library Online, onde se selecionou artigos publicados nos últimos cinco anos em português e inglês. Ao final da busca na literatura, foram incluídos 11 artigos que abordam a temática proposta. Os estudos evidenciaram que a violência obstétrica ocorre por meio de intervenções sem consentimento, tratamento desrespeitoso e perda de autonomia da mulher durante o parto. Em relação às mulheres negras, observou-se agravamento dessas práticas devido ao racismo estrutural e institucional, manifestado pela desvalorização da dor, silenciamento, tratamento desumanizado e uso de estereótipos raciais. Além disso, os estudos apontaram repercussões físicas, emocionais e sociais, incluindo trauma, ansiedade, depressão, medo de futuras gestações e desconfiança nos serviços de saúde. Conclui-se que a violência obstétrica em mulheres negras está além de falhas assistenciais individuais, configurando-se como expressão das desigualdades raciais estruturais impostas na sociedade e presentes na assistência obstétrica, evidenciando a necessidade de práticas de cuidado mais humanizadas, equitativas e livres de discriminação.
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