Entre o legal e o prescrito: efeitos cognitivos da cafeína e dos psicoestimulantes em jovens adultos: uma revisão integrativa
Resumo
O uso não-médico de psicoestimulantes prescritos para fins de aprimoramento cognitivo tem crescido entre jovens adultos em contextos acadêmicos, coexistindo com o consumo amplamente disseminado de cafeína. Esta revisão integrativa foi conduzida nas bases PubMed/MEDLINE, BVS e SciELO, com o objetivo de sintetizar as evidências sobre os efeitos cognitivos do metilfenidato, modafinil, dextroanfetamina e lisdexanfetamina em comparação à cafeína em jovens adultos saudáveis. Foram selecionados 23 estudos primários, predominantemente ensaios clínicos randomizados duplo-cegos placebo-controlados (Nível II de evidência), publicados entre 2021 e 2026. Os resultados demonstraram que nenhuma das substâncias analisadas atua como amplificador cognitivo geral: a cafeína produziu os efeitos mais consistentes sobre atenção, tempo de reação e desempenho psicomotor em doses de 1–5 mg/kg, com sinergia objetivamente documentada com L-teanina; o metilfenidato restringiu seus benefícios à memória de trabalho e ao controle atencional em doses terapêuticas; e o modafinil destacou-se pela preservação da vigilância em privação de sono, com elevada estabilidade intra-sujeito (ICC = 0,90). O achado de maior relevância clínica foi a dissociação entre esforço e qualidade do desempenho: em tarefas de alta complexidade cognitiva, os psicoestimulantes prescritos aumentaram o engajamento sem melhora correspondente (e em alguns casos com piora) na qualidade das respostas. Conclui-se que os efeitos dessas substâncias são domínio-específicos, dose-dependentes e modulados pelo contexto de uso, contrariando a principal motivação declarada para seu uso não-médico entre universitários e impondo cautela na extrapolação dos achados experimentais para o cotidiano acadêmico.