Escolha de agentes anticoncepcionais por mulheres na idade reprodutiva em vulnerabilidade socioeconômica: uma revisão integrativa.
Palavras-chave:
Contracepção, Determinantes sociais da saúde, Planejamento Familiar, Acesso aos serviços de saúde, Autonomia pessoalResumo
A vulnerabilidade socioeconômica constitui um importante determinante da autonomia reprodutiva feminina, podendo influenciar diretamente o acesso e a escolha de métodos contraceptivos. Este artigo teve como objetivo analisar de que forma a vulnerabilidade socioeconômica influencia a escolha de agentes anticoncepcionais por mulheres em idade reprodutiva. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases PubMed e LILACS, utilizando descritores controlados (DeCS/MeSH) e palavras-chave em português, inglês e espanhol, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos estudos publicados entre 2009 e 2025, com diferentes delineamentos metodológicos, que abordassem a relação entre fatores socioeconômicos e o uso de contraceptivos. O corpus de analise reuniu 9 artigos, com predomínio de estudos transversais. Os resultados evidenciam que baixa escolaridade, menor renda, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e limitação de informação estão associados a menor acesso aos contraceptivos reversíveis de longa ação e maior utilização de métodos de curta duração ou definitivos. Em contrapartida, melhores condições socioeconômicas associam-se a maior diversidade de métodos e maior autonomia reprodutiva. Conclui-se que a vulnerabilidade socioeconômica influencia negativamente a escolha contraceptiva, restringindo o acesso a métodos modernos e eficazes. Intervenções em saúde pública voltadas à equidade são necessárias para garantir a autonomia reprodutiva a todas as mulheres.
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