O Jardim das Plantas Tortas
Sinopse
A concepção do projeto “O Jardim das Plantas Tortas” é fruto de múltiplas referências que, ao longo dos anos, foram sendo cristalizadas, mas que ganhou um novo impulso a partir do apoio do CNPq ao projeto “Assimetrias Ecológicas e Políticas entre os Biomas Amazônia e Cerrado”, aprovado em 2024. O apoio do CNPq permitiu que eu atuasse como Visiting Scholar no Departamento de História da Ciência em Harvard. E, durante esse período, tive a oportunidade de compartilhar as pesquisas históricas do Cerrado e receber o feedback de colegas, tanto em Harvard quanto em Yale e UCLA. Destaco, por exemplo, o encorajamento de colegas muito queridos como Marcia de Castro, Tiago Genoveze, Gabriela Soto Laveaga (Harvard) e Harriet Ritvo (MIT), que, de formas diferentes, me impulsionaram nessa empreitada.
Esse projeto também esteve em adesão a outros em andamento na Universidade Estadual de Goiás e Universidade Evangélica de Goiás, envolvendo pesquisa e extensão. Nesse sentido, a coordenação do Laboratório de História Ambiental do Cerrado (LAHAC) foi fundamental, por ser um espaço privilegiado para a produção do conhecimento sobre o Cerrado. No LAHAC, temos buscado desenvolver ações que valorizam não apenas a produção científica qualificada em periódicos, mas também oficinas de educação ambiental, grupos de trabalho, extensão universitária, saídas de campo e a produção de materiais didáticos e outros produtos culturais voltados à temática do Cerrado. Além disso, objetivamos que o conhecimento produzido se alinhe ao desenvolvimento sustentável, tendo o Cerrado como foco. No LAHAC, eu destaco a participação dos pesquisadores André Pin e Aline Kamiya, que atuaram de maneira muito direta na concepção do projeto. O projeto literário também teve um impacto muito relevante após a colaboração artística de Emilia Simon e suas inspiradoras ilustrações.
No Jardim das Plantas Tortas, o Cerrado é o narrador da sua própria história evolutiva. A natureza, em suas diferentes representações, a presença dos andarilhos humanos em diversas temporalidades, e as transformações ambientais refletem o tom mais solene e que aponta para o trágico canto da juriti—que nos alerta e anuncia os riscos do porvir. Aqui há uma influência marcante do antropólogo Altair Sales Barbosa, que poeticamente assina o prefácio do livro. Nossa intenção é que a história natural e ambiental do Cerrado nos faça compreender o valor ecossistêmico desse bioma tão ameaçado e pouco compreendido. A estética e o tom solene das narrativas são ecos de alerta, mas também uma exaltação da beleza e da perplexidade que marcam as relações socioecológicas do bioma. Nosso desejo é que “O Jardim das Plantas Tortas” inspire, mas também exorte sobre os riscos de sacrificar esse bioma na lógica assimétrica que envolve as políticas ambientais no Brasil.