Malformações congênitas do aparelho geniturinário no Brasil: epidemiologia na última década

Autores

  • Isabella Luanna de Oliveira Martins
  • Antônio Ribeiro Coelho
  • Henrique Vieira dos Santos
  • Orial Lino do Nascimento Júnior
  • Roberta Pegoraro Monteiro Guimarãres
  • Márcio Rodrigues Costa

Palavras-chave:

Congenital Abnormalities. Epidemiology. Urogenital System.

Resumo

Introdução: O aparelho urinário é o terceiro sistema mais afetado por malformações congênitas, precedido pelo sistema nervoso central e pelo sistema cardiovascular. As malformações podem variar desde anomalias de pouca importância clínica até alterações dismórficas severas e potencialmente letais, tal como agenesia renal. A prevalência das malformações congênitas urinárias relatadas na literatura pode chegar até 10% dos nascimentos. Estas anormalidades renais ou do trato urinário inferior, tanto quanto suas complicações, são importantes causas de morte durante a infância. Objetivos: Analisar, no período entre 2009 e 2018, a prevalência de malformações congênitas do aparelho geniturinário no Brasil quanto ao número de internações e a respectiva taxa de mortalidade de acordo com o perfil epidemiológico dos pacientes. Metodologia: Foi realizado um estudo descritivo de caráter retrospectivo com dados secundários obtidos do Sistema de Informações Hospitalares do portal DATASUS (SIH). O período escolhido foi entre janeiro de 2009 e dezembro de 2018, a morbidade segundo a lista do CID-10 selecionada foi “Outras malformações do aparelho geniturinário”, que exclui a malformação “Testículo não-descido”. Os descritores foram “Região de internação”, “Sexo” e “Raça” e a amostra foi analisada segundo quantidade de internações e óbitos. Não houve conflito de interesse na realização deste trabalho. Resultados: Partindo dos dados obtidos no período de janeiro de 2009 e dezembro de 2018, foram analisadas 94901 internações, sendo 59,74% homens e 40,26% mulheres. No sexo masculino, a taxa de mortalidade percentual apresentou um relevante aumento ao decorrer dos anos, partindo de 0,46 em 2009 para 0,70 em 2018, com uma média de 0,54, enquanto no sexo feminino, a média foi de 0,74. Levando em consideração a região de internação, foi avaliando que 6,47% das internações estão na região Norte (R1), 28.68% na região Nordeste (R2), 43,49% na região Sudeste (R3), 14,97% na região Sul (R4) e 6,38% no Centro-Oeste (R5). Em relação à taxa de mortalidade, notificaram os valores de 0,54 em R1, 0.40 em R2, 0,72 em R3, 0,80 em R4 e 0,63 em R5. Avaliando a Cor/Raça dos pacientes, notouse que 32,79% das internações são de indivíduos de cor branca, 2,7% de cor preta, 32,86% de pardos, 0,98% amarelos, 0,08% indígenas e 30,58% sem informações de raça. Já analisando a taxa de mortalidade, encontraram se valores de 0,73 em pacientes da cor branca, 0,98 na cor preta, 0,51 em pardos, 0,43 e em amarelos. Conclusão: Os resultados expostos fazem perceber certas disparidades quanto à prevalência por faixa epidemiológica e grau de complicação (medida por taxa de mortalidade). A despeito de uma maior prevalência de malformações no sexo masculino, o sexo feminino registrou um maior nível que gravidade, uma vez que ao longo da série histórica a taxa de mortalidade nesse grupo foi maior. Da mesma forma, enquanto a proporção entre brancos e negros foi de 12:1 em prevalência, a taxa de mortalidade entre os negros foi maior do que entre os brancos. Vale destacar que a informação raça sofreu grande subnotificação, com mais de 30% dos casos não tendo sido preenchidos quanto a esse dado. Chamou a atenção o fato de que as menores taxas de mortalidade se deram justamente nas regiões Norte e Nordeste, em que geralmente o acesso a serviços de saúde de qualidade é mais difícil, fato que talvez se justifique por vieses de sobrevivência e de notificação.

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Publicado

2020-02-16

Edição

Seção

ANAIS I CAMEG