Educação Emancipadora E Justiça: Como A Argentina Alcança A Maturidade Política Na Trilha De Paulo Freire

  • Plínio Antônio Britto Gentil PUC-SP

Resumo

Esta pesquisa realiza uma aproximação dos princípios da educação traçados por Paulo Freire com um relato, obtido pelo autor por meio de pesquisa de campo e bibliográfica, de como a Argentina enfrenta um problema que a infelicitou durante sua mais recente ditadura militar: o terrorismo de Estado, sistemática violação de direitos humanos praticada contra opositores, oficialmente patrocinada. Utilizando saberes extraídos da principiologia freireana, que considera toda educação uma ação política, o povo e as instituições daquele país superaram uma fase de identificação com o opressor e de falta de crenjça em si mesmos, alcançando um estágio de maturidade e autonomia que lhes possibilita processar e julgar criminalmente os violadores, promovendo dessa forma um reencontro do Estado com a nação. A consciência de que a paz só é possível com justiça e que não há justiça na impunidade sedimentou-se nas camadas engajadas da população argentina, sendo perceptível até mesmo nos pronunciamentos públicos de educadores, que expressamente vinculam sua emancipação, como aprendizes de elementos culturais permanentemente intercambiados, à capacidade de aplicar a lei penal aos seus algozes e fazer justiça.

Biografia do Autor

Plínio Antônio Britto Gentil, PUC-SP
Doutor em Direito das Relações Sociais (PUC-SP) e em Fundamentos da Educação (UFSCar). Pesquisador do Grupo Educação e Direito, da UFSCar. Professor universitário de Direitos Humanos (PUC-SP), Direito Penal, Processo Penal e Ciência Política. Procurador de Justiça criminal no Estado de S. Paulo. Autor de obras de direito, política e educação (Saraiva, Elsevier, Boreal, UFMS etc.).
Publicado
2020-02-03